QUANDO O SOL CAIU
Autor: Carlos Omar Vilella
Gomes
Intérprete: Anderson Trautman Cardoso
Amadrinhador: Geraldo Trindade
Quando o
sol caiu não solucei,
Enchi o
peito com o ar que ainda tinha
E pensando
estar pensando não pensei.
Os laços e esperanças ramalharam,
As notas da guitarra se calaram
Em nome de um destino que eu herdei.
Quando o
sol caiu me desarmei...
Mirei sem
desencanto o horizonte
Com olhos
de uma história que eu não sei.
A Terra se partiu num grande abismo
E à beira desse abismo eu me abanquei.
O choro
retumbou nos meus ouvidos
No tom
amplificado de um trovão;
Paralisando
vozes e sentidos,
Gelando e
incendiando o coração.
A Lira, sem rituais, cortou os pulsos,
Lembrando de um amor que não provou;
E o poeta revisou seus absurdos
No sangue que a Lira derramou.
Quando o
sol caiu sequei o mate
Num último
resquício de prazer...
Num último
recado à solidão.
Não
importavam mais os alambrados...
Nem o
silêncio dos desesperados,
Nem o
futuro me escondendo a mão.
Não havia pandorgas pelo céu
Nem cruzavam canoas pelos rios...
As potradas
cessaram seus tropéis,
Tantos dedos negando seus anéis,
Tantas caras sorvendo seus estios.
A minha
faca estava bem afiada,
Minha bombacha estava bem passada
E a minha
alma estava por estar;
O sol
beijou com sua boca quente,
Um gosto
doce salivou no beijo
E nesse
instante me encontrei em paz.
Quando o sol caiu, eu tinha febre,
Fazendo contraponto ao seu calor...
A pele do silêncio ficou leve
Tatuada com brasão de estranha cor.
Quando o
sol caiu, também caí,
No abismo
que eu costeava sem sentir...
No fundo
desse caos que eu não cavei.
Talvez um
dia eu volte por ali...
Quando o
sol caiu, eu renasci,
E ao lado
do meu catre...
...despertei!