PAGO VAGO

Apparício Silva Rillo

 

      Vago é meu pago.

      Este que trago,

      cicatriz em mim,

      Raiz de minhas íntimas origens,

      veio subterrâneo de onde vim.

 

      Vago é meu pago.

      Este que trago,

      em músculos e ossos.

      Inteiro como foi porque é memória,

      flor de perenidade entre destroços.

 

      Vago é meu pago.

      Este que trago,

      como sombra e manto.

      É meu destino a cruz de sustentá-lo

      nos alicerces de vento de meu canto.